
Em 20 de fevereiro de 1976, Sergipe viveu o mais violento capítulo de repressão política de sua história. Batizada de Operação Cajueiro, a ação articulada pelo Exército Brasileiro resultou em prisões arbitrárias, sequestros, torturas e na desarticulação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no estado. Cinquenta anos depois, o episódio permanece como ferida aberta e um marco incontornável para compreender os mecanismos da ditadura militar no Nordeste.
Ainda pouco conhecido do público geral sergipano, mesmo após meio século, o violento episódio foi detalhado no documento final produzido pela Comissão Estadual da Verdade de Sergipe (CEV/SE). Nunca publicado, esse relatório inclui entrevistas com presos políticos no estado e intimou participantes diretos e indiretos das torturas, como médicos e militares, que acabaram por não colaborar com a elaboração do documento.
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A passagem de 50 anos impõe um desafio: transformar lembrança em política pública de memória. Por esta razão, o Centro Acadêmico Silvio Romero (CASR), do curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com a Liga Acadêmica Direitos Humanos e Democracia (LDHDEM) da UFS promovem, nesta quarta-feira (11), uma Tribuna Livre para relembrar a Operação e discutir seus impactos históricos e jurídicos.
Aberto ao público, o encontro será realizado às 18h no auditório da Reitoria da UFS, e reunirá vítimas, pesquisadores, estudantes e representantes de entidades da sociedade civil em um espaço público de escuta e reflexão. A proposta é resgatar relatos sobre as prisões e torturas ocorridas em fevereiro de 1976, além de debater os desafios ainda presentes no campo da memória, da verdade e da responsabilização do Estado.
A mesa de abertura contará com a participação da professora do Departamento de Direito da UFS e integrante da CEV/SE Andréa Depieri, do mestre em Direito José Alvino, do dirigente do CASR Teófilo Carvalho e de Daniel Portilho, representante da Liga. Em seguida, o espaço será aberto para intervenções de convidados e do público, entre eles os ex-militantes e ex-presos políticos Jackson Barreto, Marcélio Bonfim, Carlos Alberto Menezes e Delmo Naziazeno, testemunhas oculares dos anos de chumbo no estado.

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